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ESTADO

Mussafir vai a Assembleia prestar esclarecimentos sobre Operação Marcapasso

06/12/17 16:54 | Atualizado em: 06/12/17 16:54

Em atendimento ao requerimento do deputado José Augusto Pugliese, o
secretário de Estado da Saúde, Marcos Musafir, compareceu nesta
quarta-feira, 6, à audiência pública realizada pela Assembleia para
esclarecimentos sobre a Operação Marcapasso, da Polícia Federal. A
operação investiga um esquema de corrupção que consiste na de fraude em
licitações, compra de órtese, prótese e materiais especiais de alto
custo para o sistema de saúde.

Os deputados questionaram o secretário sobre os prejuízos causados pelos
desvios de recursos na compra dos materiais, as falhas do sistema de
saúde que permitiu tal conduta dos gestores e ainda cobraram uma atitude
da Sesau para sanar os problemas deixados, além de buscar saídas para
recuperar a credibilidade da saúde pública no Estado.

Outros assuntos também foram abordados no decorrer da audiência, como a
demora na construção do novo hospital de Gurupi, a falta de
medicamentos, demora na espera por cirurgias e outros procedimentos.
Excesso de contratações e deficiência do número de médicos também foram
mencionados pelos deputados, que alegaram que o sistema não funciona e
que faltam técnicos e profissionais capacitados.

Em resposta aos questionamentos dos parlamentares, Musafir esclareceu
que a atual gestão não tem envolvimento com os desvios e práticas
apurados pela PF. “A secretaria não tem acesso ao inquérito, mas está
colaborando com toda a sua equipe para as investigações, com a entrega
de contratos e documentos solicitados pela PF e o Ministério Público
Federal”, afirmou Musafir.

Sobre a atual gestão, o secretário reconheceu as dificuldades
operacionais, mas ressaltou que administra a pasta com transparência nos
processos de licitação e que todos os recursos investidos e gastos na
compra de materiais e remédios passam pela decisão de um Colegiado
Financeiro da Saúde. Musafir garantiu que a secretaria tem conseguido
sanar a falta de medicamentos e trabalhar com o abastecimento de 89% dos
remédios necessários para a continuidade dos tratamentos e emergências
nas unidades hospitalares.

Sobre o novo hospital de Gurupi, o secretário afirmou que a construção a
unidade é responsabilidade da Secretaria Estadual da Infraestrutura. Já
sobre as nomeações o secretário justificou que as contratações são
feitas de acordo com a demanda, que tem crescido, passando de 3 milhões
de atendimentos em 2015 para 6 milhões em 2017. E que apesar das
contratações, o Estado ainda conta com um déficit de 300 médicos para
atender a população com mais agilidade.

O secretário destacou que está colocando em prática um projeto de
reorganização da rede hospitalar e que a secretaria continua com o seu
propósito de garantir atendimento adequado para toda a população. Para
isso, disse que vai retomar os mutirões cirúrgicos e de procedimentos
para reduzir as filas de espera.

Críticas

As explicações do gestor da saúde, no entanto, não convenceram os
parlamentares. Ao responder uma declaração de Musafir, segundo a qual o
Legislativo poderia ajudar o Governo a resolver o problema dos
“supersalários” na saúde, o deputado Paulo Mourão (PT) disse que esse
papel cabe ao Executivo. “Só quem pode fazer isso é o Governo; é uma
questão de vontade política para o enfrentamento desse problema. O
Governo precisa resolver o problema, o que eu duvido que o atual Governo
tenha coragem de fazer, como outros não tiveram”, criticou.

Participantes

Além do autor do requerimento, José Augusto Pugliese, participaram da
audiência os deputados Paulo Mourão (PT), Elenil da Penha (PMDB), Jorge
Frederico (PSC), Valderez Castelo Branco (PP), Wanderlei Barbosa (SD),
Vilmar de Oliveira (SD), Amélio Cayres (SD), José Bonifácio (PR), Alan
Barbiero (PSB), Osires Damaso (PSC) e Zé Roberto (PT).