Dia da Mulher

Professora denuncia racismo e intolerância religiosa por parte da segurança da AL; em nota, Casa nega ocorrido

Durante audiência pública na Assembleia nesta quinta-feira, 08, professora Solange Nascimento afirma que foi vítima de racismo e intolerância religiosa;em nota, segurança da AL afirma que é inocente

08/03/18 17:24 | Atualizado em: 08/03/18 17:24

Após a professora doutora da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Solange Nascimento, ter denunciado ato de intolerância religiosa e racismo durante protesto na Assembleia Legislativa nesta quinta-feira, 08, a chefia da Assessoria Militar da Assembleia Legislativa negou, por meio de nota, o ocorrido.

Solange confirmou que sofreu racismo e foi vítima de comentários ofensivos por conta de sua religião por parte da chefe da assessoria militar da Assembleia, Coronel Alan.

De acordo com a AL, o que ocorreu foi que, no exercício de suas funções, o chefe da Assessoria pediu que Solange o ocupasse uma das cadeiras que lhe estava reservada no plenário, e, conforme a assessoria militar, que faz a segurança da casa, ela teria respondido ao pedido de forma "agressiva, gesticulando e afirmando que o chefe da segurança não poderia mandar-lhe sentar. O que houve, portanto, foi um mal-entendido por parte da professora, já que em nenhum momento o policial agiu de forma grosseira, descortês ou imperativa".

Por conta do ocorrido, a Federação das Casas de Culto de Matriz Africana do Tocantins (Feccamto), enviou nota de repúdio e manifestou a solidariedade à professora.

"A Federação das Casas de Culto de Matriz Africana do Tocantins, repudia todo ato de Intolerância Religiosa e de Preconceito Racial, conforme manifestado nas palavras do Chefe da Segurança da Assembleia Legislativa. Ao mesmo tempo, requer da Mesa Diretora da Casa que determine abertura de procedimento para averiguar o referido caso, com vastas testemunhas e dê a punição adequada de forma a não deixar dúvidas sobre a posição dos Deputados daquela casa com relação ao racismo que é crime previsto na nossa Constituição Federal".

O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Palmas (Compir) também enviou nota em razão da agressão física e verbal sofrida pela professora. Para o Conselho a ação foi totalmente racista e preconceituosa durante um ato Organizado pelo movimento de Mulheres em Alusão ao Dia Internacional da Mulher.

A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 5º, inciso VI, preceitua que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

"Neste sentido, convidamos a todas e a todos para participarem conosco deste ato em favor da liberdade e da democracia, como também para assinarem esta nota de repúdio contra os casos de Discriminação Racial e Intolerância religiosa que se proliferam contra A professora da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Drª Solange Aparecida, bem como no restante do nosso país que deve prezar pela laicidade prevista em nossa constituição como garantia do exercício da democracia".

Solange afirmou que irá entrar com um pedido de representação contra o coronel. Já de acordo com a AL, os fatos serão esclarecidos por meio de testemunhas e imagens captadas pelas câmeras da segurança interna.