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LUCIANO HUCK

Apresentador quer se dedicar à política e ao sonho de ser presidente

17/01/20 21:47:35 | Atualizado em: 17/01/20 21:47:35

Ainda é cedo, mas, ao que tudo indica, Luciano Huck deixará a programação da Globo no fim deste ano ou, no mais tardar, no começo de 2021. A razão todo mundo sabe: dedicar-se à política e ao sonho de ser presidente da República. Diante do buraco que ficará na programação dos sábados caso sua saída se confirme, a alta cúpula global discute discretamente sobre quem seria o substituto. Rodrigo Faro e Tiago Leifert são os mais cotados. A emissora e Faro negam qualquer tratativa — e Faro afirma que do domingo, dia em que comanda o Hora do Faro, na Record, não arreda pé. Se a Globo quiser o apresentador, terá de preparar o cofre: o contrato de Faro com a TV de Edir Macedo vai até 2023.

DISCURSO DE ALVIM É CRIMINOSO E INFAME

De família judia, o apresentador e potencial candidato à Presidência Luciano Huck classificou como “criminoso” e “infame” o discurso do agora ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim, parafraseando Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler.

“Meu sentimento é de indignação”, escreveu Huck em seu perfil oficial no Instagram. “O vídeo do secretário Roberto Alvim é criminoso. Infame. Revela uma conduta autoritária inaceitável, que rompe os limites democráticos com um discurso fora da lei”, acrescentou.

O secretário foi exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro depois da repercussão negativa do caso.
Em seu post, Huck lembrou que seis milhões de judeus morreram vítimas do nazismo, e que o holocausto é um “fato histórico”. “Usar a cultura para fazer revisionismo histórico é perverso, atrasado e violento”, diz o apresentador. A postagem traz uma foto do discurso de Alvim com uma tarja preta escrito em branco a palavra “Inaceitável”.

Postado no perfil do Twitter da Secretaria de Cultura, o vídeo de Alvim causou indignação nas redes sociais tanto pelo discurso quanto pela estética, semelhante à de pronunciamentos de Goebbels.
A trilha sonora da peça é do compositor favorito de Hitler, o alemão Richard Wagner – a ópera usada no discurso, Lohengrin, é citada no livro Mein Kampf (Minha Luta) pelo nazista.

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada”, disse o secretário de Cultura.

Ele parafraseou uma fala de Goebbels registrada no livro Joseph Goebbels: Uma biografia, do historiador alemão Peter Longerich: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”. A declaração foi feita em 1933 por meio de uma carta em que o nazista sugeria “novas direções” ao teatro.

Em mensagem publicada no Facebook, Alvim pediu perdão pelo “erro involuntário” e disse que o seu posicionamento cristão “jamais teria qualquer relação com assassinos”. “Não havia nenhuma menção ao nazismo na frase, e eu não sabia a origem dela”, justificou.
Alvim foi demitido do cargo nesta sexta-feira, 17. Em nota publicada no Twitter, Bolsonaro afirmou que a permanência de Alvim no governo ficou “insustentável”.
“Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência”, publicou o presidente.
Fonte: VEJA