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Direto do Planalto

Por Gylwander Peres

Coluna

21/06/21 17:24 | Atualizado em: 21/06/21 17:24

DIRETO DO PLANALTO

RESULTADO DA MÁ CONDUÇÃO NA CRISE SANITÁRIA



Foto: Carta Maior



Estudo publicado pela ONU nesta segunda revela que o Brasil retrocedeu 20 anos no ranking que avalia os países que mais receberam investimentos estrangeiros no ano de 2020.

Segundo a entidade, o quadro de retrocesso na entrada de investimentos estrangeiros tem relação direta com a falta de um plano de medidas sociais voltadas ao controle da pandemia causada pelo Covid-19 e o impacto econômico.

Outro dado importante mencionado no estudo destaca que a queda no ritmo de crescimento da economia a nível global ficou registrada em 35%, enquanto no Brasil esse número ficou registrado em 58%.

Para explicarmos esses números, primeiro devemos destacar que o setor de commodities, predominante no país no setor de produção de alimentos, foi um dos primeiros a se recuperar economicamente na pandemia, enquanto outros setores como o de lazer, turismo e indústria foram mais afetados.

Sabemos, desde o início da pandemia, com base em estudos datados de outras pandemias, que a contenção de crises sanitárias é condição sem a qual não é possível a retomada econômica. Aqui, parece claro que o Brasil perdeu o timing no planejamento, ignorando a gravidade do vírus, e o tombo só não foi maior porque nossa matriz econômica foi uma das menos atingidas pela pandemia.

No âmbito do Poder Legislativo, as reformas e privatizações foram colocadas em segundo plano, puxando a confiança dos investidores para baixo. Na retomada dessas discussões agora, cabe crítica ao parlamento por correr contra o tempo. Não podemos pular os debates e assim comprometer a qualidade das proposições votadas. O remédio preparado às pressas pode ser prejudicial a longo prazo.

Por fim, não é atrativo para investimentos país cuja crise política parece eterna. A polarização e o populismo causam efeitos nefastos para visualizarmos dias melhores. Felizmente, a saída é mais simples do que aparenta. Ela passa necessariamente pela democracia e pelo diálogo. 

14/06/21 20:08 | Atualizado em: 14/06/21 20:08

DIRETO DO PLANALTO

Os passeios de Jair Bolsonaro durante a pandemia tem custo elevado para o brasileiro.




No passeio realizado no Rio de Janeiro mês passado o gasto com segurança foi calculado em 485 mil reais. Na motociata de sábado agora o reforço policial desfalcou os cofres públicos em 1,2 milhão.

Trata-se de agenda eleitoreira fora de época, que visa desviar a atenção do ritmo lento da vacinação e das reformas estruturais de que o país necessita e que também tem como importante aspecto a repercussão que causa nas mídias sociais, palco onde Jair Bolsonaro domina com destreza.

Nesse sentido, serve de sinal de alerta aos adversários do atual presidente, a pesquisa realizada pela Consultoria Quaest, que foi divulgada no sábado pelo jornal Folha de São Paulo. Nela, Jair Bolsonaro aparece reabilitado da perda de popularidade ocorrida no início do ano e à frente de outros prováveis presenciáveis como Lula, Luciano Huck, Ciro Gomes, João Amoêdo e Luiz Henrique Mandetta.

A antecipação da campanha eleitoral demonstra duas facetas do Brasil de hoje: o pouco apreço à democracia vindo de um presidente alçado ao poder pelo voto e o mau funcionamento das instituições da república responsáveis pelo processo eleitoral, que parecem aguardar que Jair Bolsonaro pronuncie um literal pedido de votos para que se configure crime eleitoral.

Por fim, a fala do presidente da República, no sentido de demonstrar ser uma pessoa de gostos simples, vem esbarrando na realidade dos fatos. Os passeios, as férias que custaram 2,4 milhões de reais, o aumento do próprio salário - Todos esses recursos saíram do nosso bolso, que não é o do Bolsonaro.

Jair Bolsonaro já está 2022, com a (nem tão) inocente (assim) complacência das instituições da República. 

09/06/21 08:20 | Atualizado em: 09/06/21 08:20

DIREITO DO PLANALTO

ELEIÇÃO NÃO É VALE TUDO


   Foto G1 Globo


Ainda estamos longe de conhecer o novo presidente do Peru na eleição mais acirrada da história do país.

A eleição, que tem como principal destaque a polarização entre a candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori e o candidato de esquerda Pedro Castillo, sindicalista e professor, indica que podemos esperar grande turbulência nas eleições que serão realizadas no Brasil em 2022.

Apuradas cerca de 95% das urnas, Pedro Castillo assumiu a dianteira na contagem de votos nos redutos onde as pesquisas de boca de urna apontam sua vantagem.

Imediatamente, ainda na noite desta segunda-feira (7), a candidata direitista afirmou que na votação foram observadas inúmeras irregularidades e acusou seu adversário de "roubar" votos, indicando que estava em curso uma "fraude sistemática" no pleito do país.

Coube aos observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA) afastar a hipótese de fraude levantada por Fujimori, ao afirmar que os peruanos foram às urnas de "maneira pacífica e voluntária". Na mesma ocasião, congratularam as autoridades eleitorais pela "organização de um processo de grande complexidade", realizado em meio à pandemia e à intensa polarização política.

É preciso destacar que tem sido prática comum a acusação de fraudes no processo eleitoral por candidatos que não obtiveram o número suficiente de votos para vencer o pleito. Essas acusações, feitas sem provas, colocam em risco a democracia, impedem a governabilidade do novo governo e acirram ainda mais a polarização.

Mais do que a lisura do pleito eleitoral, que deve ser constantemente aperfeiçoado, os ataques à vontade popular manifestada no voto devem ser repelidos dos incendiários do processo eleitoral. Há que se estabelecer limites para o lançamento de ataques ao jogo do qual os candidatos fazem parte. É inadmissível atacar a democracia sem provas.


08/06/21 07:44 | Atualizado em: 08/06/21 07:44

DIREITO DO PLANALTO

POLÍTICA VERSUS POLITIZAÇÃO


Foto : S21 Sul 21


A política está em tudo. Porque ela é a única maneira que temos de organizar a convivência social. Assim, podemos definir política como a “arte de governar bem os povos”.

Se a política faz parte de nossa vida, estando presente em todas as relações sociais, por que essa forma de vivência não é consciente em nosso cotidiano? Por que a participação política do indivíduo é tão limitada? a resposta está na indiferença e na conseqüente passividade de parte da população, que desempenham um papel desagregador na política. Os indivíduos cuidam de suas atividades pessoais e deixam as decisões políticas nas mãos de pequenos grupos que, movidos por ambições e paixões particulares, traçam os destinos da nação.

Essa falta de interesse acabou possibilitando o predomínio de um debate político apequenado que em nada contribui para o engrandecimento do país. Aliado dessa miopia cresce o fenômeno da politização sobre todas as circunstâncias da vida nacional.

Politizar tudo" é típico de governo totalitário, que não quer a imprensa livre e nem permite que as pessoas tenham iniciativa. Não têm porque o governo, que é "politizado", determina o que é bom e o que não é bom para o povo.

O acirramento das divergências sobre como enfrentar os problemas do país, com um demasiado apego à ideologia, é um grande erro na minha avaliação e vai nos custar muito caro, a nós e as futuras gerações. Os meios acabam sendo mais importantes que os fins, colocando obstáculos cada vez maiores para a racionalidade tão necessária neste momento.

Vivemos dias de batalhas perdidas através do excesso da politização e da falta de informação. Precisamos mais que tudo de consciência crítica e da política para nos reencontrarmos e construirmos um projeto de país. 

06/06/21 07:43 | Atualizado em: 06/06/21 07:43

DIREITO DO PLANALTO

A DECISÃO DO EXÉRCITO


Foto: G1 Globo

O fato mais relevante da semana foi a injustificável decisão do Comando do Exército de não punir o general da ativa Eduardo Pazuello pelo comparecimento a ato político.

Dentro das Forças Armadas, a hierarquia e disciplina são atributos indispensáveis e ainda mais exigíveis daqueles em posição de comando. Não cabe juízo de valor quando o regramento é claro e não dá margem para interpretação diversa, como buscou Pazuello em sua defesa escrita.

Aproveitando-se do feriado, o Comando do Exército acolheu a estapafúrdia justificativa de Pazuello para emanar decisão estritamente política e não disciplinar, que macula a imagem da instituição. Isso, tão somente para não criar indisposição com o Presidente Jair Bolsonaro, que dia após dia vem testando os limites das instituições em movimento semelhante ao chavismo venezuelano.

Sabe-se que, eventual punição a Pazuello poderia causar a segunda troca de Comando das Forças Armadas em menos de dois meses. Assim, podemos dizer que a escolha do general Paulo Sérgio foi uma retirada estratégica que pode futuramente coibir eventual escalada autoritária do Presidente Jair Bolsonaro em 2022.

De todo modo, a impressão que fica para o processo eleitoral de 2022 é de que teremos problemas com Jair reeleito ou não. Isso porque, se vencer, continuará sabotando a mesma democracia que o alçou ao Poder. Se perder, alegará fraude e incitará a desordem e a subversão, tal como fez Donald Trump no episódio do Capitólio.

Devemos lembrar que a democracia dos Estados Unidos é sólida e centenária. Já a nossa, cambaleia a cada episódio de violência institucional cometida por um presidente da República que desconhece limites e que tem como cúmplices o silêncio daqueles que podem lembrá-lo das limitações do cargo que ocupa.

03/06/21 13:16 | Atualizado em: 03/06/21 13:16

DIREITO DO PLANALTO

CIÊNCIA E DEMOCRACIA


Foto: Revista Eco 21


Comissão Parlamentar de Inquérito não deve ser palco para a divulgação de pseudociência. Nesse sentido, os esclarecimentos prestados pela médica infectologista Luana Araújo à CPI da Pandemia indicam que há muito já deveríamos ter superado a discussão acerca do ineficaz tratamento precoce para a Covid-19.

No início da pandemia, quando o até então presidente dos Estados Unidos Donald Trump divulgou estudos preliminares apontando a eficácia da cloroquina no combate à Covid-19, vimos um sopro de esperança. No entanto, nos meses subsequentes e após longos testes pela comunidade científica, a hipótese da eficácia da cloroquina e derivados não se confirmou. Pelo contrário, cientistas advertiam para efeitos colaterais adversos e a OMS optou por suspender os testes com o fármaco.

A questão já estava superada no início de julho de 2020. Tudo que veio a seguir, as reiteradas vezes em que o governo federal insistiu na terapia ineficaz parece convergir para uma falsa segurança dada ao povo brasileiro para voltar a uma normalidade que não seria possível sem as vacinas. O povo foi lançado à própria sorte. Viramos piada do parlamento francês, que riu da insistência do governo federal na cloroquina.

O pronunciamento do presidente da República em rede nacional ontem chegou com 11 meses de atraso, evidenciando o enorme gasto de energia do governo em sentido oposto à racionalidade, à ciência, à vacina.

Pode parecer na CPI, num primeiro momento, que se trata de uma guerra de narrativas, como faz parecer alguns senadores da base governista. Entretando, ciência não é o que achamos, mas o que as evidências científicas apontam.

Como diria Carl Sagan: a ciência é uma vela na escuridão. Só ela é capaz de guiar nosso caminho, refutando a ignorância e obscurantismo. Não há espaço na democracia para aquilo que se denomina pós-verdade. Uma mentira muitas vezes dita não vira verdade só porque queremos.

Repetir esses sofismas no ambiente de uma CPI é pessimo para o povo e para a democracia. 

02/06/21 12:40 | Atualizado em: 02/06/21 12:40

DIREITO DO PLANALTO

NO PAÍS DO FUTEBOL


Foto : Diário do Nordeste

A disputa da Copa América no Brasil, após a recusa de outros países como a Argentina e Colômbia trouxe o futebol para o centro do debate político, que envolve a crise sanitária causada pela Covid-19.

Em um primeiro momento podemos argumentar que se os campeonatos nacionais continuam a ser disputados então por que não receber o torneio? A resposta não é simples e foge ao calor das emoções causadas pelo esporte.

Primeiro, a realização de um evento esportivo internacional não envolve apenas a chegada de delegações de atletas que, segundo a Conmebol, estarão vacinados. Envolve a movimentação de imprensa, organizadores, logística e staff de outros países. Até o momento, não sabemos se esses profissionais serão vacinados. Assim, poderão, se não melhorar, agravar a crise sanitária.

Segundo, a continuidade do calendário de jogos a nível nacional é movimento que assegura a sobrevivência dos clubes, principalmente os de divisões mais baixas. Sabe-se que, com muita dificuldade, esses times estão buscando seguir os protocolos sanitários para manter em dia os salários dos atletas e funcionários. Trata-se de situação excepcionalíssima que busca conciliar saúde e economia.

A negativa da Argentina e da Colômbia em receber o evento indica que são superficiais e pueris os interesses da Conmebol e do presidente da República Jair Bolsonaro na realização do torneio na atual conjuntura, uma vez que a pandemia ainda foge ao controle nos países da América do Sul devido ao ritmo lento de vacinação.

Devemos ressaltar que as discussões apaixonadas do futebol devem lá permanecer. Isso porque a política é o campo do debate racional, da argumentação e não da simples defesa apaixonada de ideias viciadas pelo calor das paixões.

Esperávamos a mesma disposição do presidente Jair Bolsonaro em receber a Copa América na aquisição das vacinas nas primeiras vezes em que nos foram oferecidas. Talvez pudéssemos, a essa altura, receber o evento já com público. 

31/05/21 16:42 | Atualizado em: 31/05/21 16:42

DIRETO DO PLANALTO

Antibolsonaristas versus Bolsonaristas


Foto : El País


As manifestações da esquerda contra o governo ocorridas em mais de 200 cidades no sábado nos dá três indicativos do atual momento político do país. O primeiro ponto a ser destacado é que a esquerda rendeu-se ao modelo bolsonarista de criar aglomerações.

O segundo ponto a ser destacado é que a ala mais ao centro do espectro político não compareceu em peso às manifestações. Isso, apesar das pesquisas de opinião indicarem ser este o pior momento do governo.

O terceiro e mais interessante ponto a ser destacado, é que predomina atualmente na esquerda e no espectro político mais ao centro o sentimento de exaustão acerca do governo, que não tem projeto, que até aqui não disse a que veio, não administrou a pandemia adequadamente no aspecto da saúde e da economia. Exaustão que insurge contra um governo que usa todo o seu tempo e energia até aqui para apontar culpados, eleger inimigos invisíveis e construir narrativas falsas para esconder a sua incompetência. Nas áreas do governo em que há bons nomes à frente, como é o caso do setor de infraestrutura e agricultura, as trapalhadas do presidente impedem um resultado frutífero.

A exaustão com o quadro político atual chegou ao nível de parcela significativa da sociedade ponderar o risco e o benefício de aglomerar em manifestações na pandemia. Esse risco leva em conta a possibilidade de contrair e transmitir o vírus, que já matou 460 mil brasileiros. O benefício, sabendo que o governo dificilmente irá mudar, estaria atrelado à necessidade de vacinação mais rápida e de causar maior desgaste do presidente da República Jair Bolsonaro para 2022.

Esses movimentos ligam o sinal de alerta no núcleo mais duro de apoiadores do presidente, que veem com preocupação e surpresa a articulação desfavorável. Surpresa essa, que veio mesmo com os institutos de pesquisa advertindo desde o final de abril que esse é o pior momento do governo.



 

27/05/21 20:35 | Atualizado em: 27/05/21 20:35

DIRETO DO PLANALTO

Precisamos planejar o Brasil de amanhã


Imagens: Giro Marília


Podemos dizer que a última reforma estrutural significativa pelo o qual o Brasil passou se deu com a edição do Plano Real, que foi a medida definitiva de combate à hiperinflação no país.

As medidas tiveram início em 1993, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazenda no governo Itamar Franco com o compromisso de reduzir a inflação.

Ao longo do ano de 1993, Fernando Henrique reuniu-se com grandes economistas, como Pedro Malan, Persio Arida, André Lara. Os objetivos a serem atingidos eram o equilíbrio fiscal, desindexação da economia e o lançamento do padrão monetário que viria a ser chamado de real, que utilizamos até hoje.

Em 2002, Lula foi eleito com críticas ao projeto de Fernando Henrique Cardoso, mas o seu governo acabou surfando sobre os bons resultados desse projeto e do superciclo das commodities. Lula pode, inclusive, ampliar programas sociais que não teriam sido viabilizados sem o ajuste econômico realizado pelo seu antecessor.

Entre 2002 e 2004, podemos afirmar que perdemos a janela de oportunidade para fazermos as reformas tributária e administrativa. O Governo petista vivia o auge da popularidade e aprovaria, sem muito esforço, tais medidas.

O que veio nos anos seguintes foi a falta de planejamento estratégico aliado ao aumento descontrolado dos gastos públicos. Esse aumento foi parcialmente mitigado pela agressiva, porém necessária, reforma da previdência na gestão Temer. Reforma que não existiria ou seria bem menos onerosa ao trabalhador se o projeto de governo tivesse como objetivo o país e não um projeto particular de poder.

Instalou-se no Brasil a descrença nos rumos do país, na política. Da antipolítica surgiu o fenômeno Jair Bolsonaro. Chegamos até aqui.

O que podemos fazer pelo país? 2022 está aí.

Digo que podemos começar hoje a mobilização pela retomada dos projetos nacionais que trarão prosperidade ao país, isto, fazendo referência ao atual presidente da República Jair Bolsonaro, que tem mais um ano e sete meses de governo.

E o lula? E uma eventual e possível guinada da terceira via?

Creio que a resposta apropriada deva passar pela análise dos projetos de país de cada possível candidato. Devemos analisar os aspectos econômicos, conjunturais, estruturais e institucionais. Um bom norte para a avaliação desses projetos passa, obrigatoriamente, pela leitura da Constituição Federal.

Não podemos pensar pequeno tratando-se de um país continental como o Brasil. 

26/05/21 12:24 | Atualizado em: 26/05/21 12:24

DIRETO DO PLANALTO

A DESPOLITIZAÇÃO É UM FENÔMENO POLÍTICO






A despolitização não é um fenômeno recente. Ela sempre esteve arraigada em vários momentos da vida social. Porém, em nossos dias a despolitização promovida dentro das regras democráticas priva as concepções do Estado moderno de seu conceito de soberania ao reduzir o político ao âmbito da moral, do direito e da economia.

Compreender o processo de despolitização que nos afronta é imprescindível para compreensão da realidade. Desmascarar os fenômenos de antipolítica é substancial no entendimento da construção de processos que representa o distanciamento de uma pessoa ou grupo da realidade em que vive.

Na minha análise, a baixa motivação dos cidadãos para se informar e deliberar sobre questões públicas em democracias de massa fortalece a despolitização. Se a opinião individual pouco pesa no todo, o indivíduo acaba elegendo outras prioridades. Não se cria racionalidade.

Sem racionalidade, que consiste no processo de ponderação de argumentos conflitantes, as opiniões não representam consentimento, mas impressão superficial. Cria-se então um ambiente de desinformação e uma sociedade desinformada é mais vulnerável a manipulações. Surgem aí os grupos organizados que buscam moldar a opinião pública.

É interessante destacar que a manipulação se dá, via de regra, com ideias simplistas, de rápido apelo, porém equivocadas e parciais. Nesse modelo, a guerra por narrativa considera se você está “ ao lado deles. contra o “inimigo”. Em caso positivo, a informação será compartilhada. No contrário, não se observa a veracidade ou importância do conteúdo apresentado ou sua relevância científica, será desprezado.

A despolitização é sim um fenômeno político. Ela é resultado de uma sociedade desinformada. Esse quadro produz o pior na esfera política. 

25/05/21 21:10 | Atualizado em: 25/05/21 21:42

DIRETO DO PLANALTO

É possível falsear e distorcer fatos na era da informação?


 

Convidada a prestar esclarecimentos no Senado, a Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro complicou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello ao afirmar que ele tinha conhecimento da iminente falta de oxigênio em Manaus dois dias antes do que foi afirmado por ele à CPI na semana passada.

Causou constrangimento aos senadores integrantes da Comissão a quantidade de informações falsas ou distorcidas dadas pela Secretária ao longo do dia.

Entre as informações falsas, chama a atenção a declaração de que o governo federal não teria recomendado tratamentos para a Covid-19 sem comprovação científica e de que a hidroxicloroquina seria antiviral, quando na verdade é um antimalárico utilizado no tratamento da malária, que é um protozoário, e não um vírus.

Em determinado momento, a Secretária chegou a distorcer a fala de David Nabarro, funcionário da Organização Mundial de Saúde, sugerindo que a entidade seria contra medidas como o lockdown, mesmo nos momentos em que a medida seria necessária para evitar o colapso dos sistemas de saúde.

A estratégia de falsear e distorcer os fatos pode até servir de escape no momento em que o depoimento está sendo prestado, já que confunde momentaneamente os membros integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito e evita a responsabilização e incriminação de terceiros.

No entanto, essa opção, de negar o anteriormente dito e distorcer a realidade, que mais parece ter sido tirada do distópico livro "1984," escrito por George Orwell, e que retrata o uso abusivo da linguagem como forma de dominação e criação de narrativas falsas não tem espaço na sociedade da Era Digital e das agências de checagem de notícias.

Será preciso restabelecer a verdade ao final dos trabalhos. 

24/05/21 20:05 | Atualizado em: 24/05/21 20:05

DIRETO DO PLANALTO

Jair Bolsonaro em 2021 é Dilma Rouseff em 2015.


Mil policiais militares foram deslocados para proteção do presidente Jair Bolsonaro na motociata promovida por simpatizantes do governo no Rio de Janeiro nesse domingo. Com o custo estimado em 485 mil aos cofres públicos do estado, o gasto com segurança não é o único que deve pesar no bolso do brasileiro.

Isso porque, três dias antes do evento, Jair Bolsonaro usou a caneta Bic azul para anunciar a isenção de pedágio para motociclistas para novas concessões de rodovias federais.

O populismo será custeado por motoristas de carros, ônibus, caminhões e demais veículos. Essa situação, não nos esqueçamos, lembra muito a distribuição de pão com mortadela para apoiadores do governo Dilma Rouseff.

Esse gesto demonstra que o governo de Jair Bolsonaro busca mostrar uma força que no momento não possui organicamente, muito pelo desgaste no apoio popular por conta da gestão federal na crise sanitária da Covid-19.


Por outro lado, merece nota a ida do general Eduardo Pazuello à manifestação de cunho político-partidária ocorrida, prática vedada na Caserna, uma vez que as Forças Armadas são instituições de Estado e não de governo.

O general, que na mesma semana pediu desculpas ao povo brasileiro por não ter usado máscara em um Shopping de Manaus no testemunho dado à CPI da Covid-19, apareceu novamente sem o acessório, comprovadamente eficaz na redução da transmissibilidade do vírus.

Ambos os gestos geraram constrangimento no Comando do Exército, que já abriu procedimento disciplinar contra o general ex-ministro da Saúde. A expectativa é de que o procedimento dure 30 dias.

Em conversa em reservado com alguns senadores, ouvi que já é dado como certo o indiciamento e responsabilização de Eduardo Pazuello no relatório final.

Nessa altura do campeonato, já deveria saber o ex-ministro que não se deve dar munição ao adversário. 

20/05/21 20:56 | Atualizado em: 20/05/21 21:53

PALMAS 32 ANOS

Palmas hoje completa 32 anos de existência


Foto: Armando Castro


Constituição Federal, a cidade é fruto do esforço coletivo de um povo que durante mais de um século lutou por sua autonomia

Lembro como se hoje fosse do dia 20/05/1990, data em que foi lançada a pedra fundamental de Palmas, momento marcante e inesquecível de minha vida.

Tive a satisfação acompanhar o primeiro acender de luzes da avenida Teotônio Segurado, o asfalto cobrindo pela primeira vez as quadras de Palmas. Vi homens e mulheres construindo o futuro.

Vi seu povo escolhendo seus primeiros representantes, representantes estes que nos colocaram em lugar de destaque nacional em qualidade de vida. A cidade está em movimento e os seus habitantes não se cansam de perseguir a sua perfeição.

De modo umbilical, o Portal Stylo cresceu e fincou raízes em Palmas, crescendo e se desenvolvendo, gerando e criando empregos, exercendo o papel de informar e comunicar os fatos aos seus cidadãos.

Resido em Brasília onde trabalho, mas como diria Gonçalves Dias, em seu mais famoso poema:

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Sem qu'inda aviste as palmeiras,


Feliz aniversário, Palmas. 

20/05/21 20:58 | Atualizado em: 20/05/21 20:51

CPI do COVID

Comissão Parlamentar de Inquérito não é espetáculo


Foto: Rede Brasil Atual



O testemunho do ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a gestão do Governo Federal na pandemia da Covid-19 expôs problemas qualitativos do sistema político de nosso país.

O que foi visto durante dois dias de depoimento foi um general Pazuello comunicativo e resguardado pelo salvo conduto concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski. A comunicação excessiva e muitas vezes arrastada, parece ter vencido momentaneamente os senadores integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Entretanto, é importante destacar que uma CPI é feita de batalhas e a missão do general, de não entregar informações contraditórias ao relator senador Renan Calheiros (MDB-AL), parece ter sido mal-sucedida. Isso porque, as redes sociais funcionam hoje como agência de checagem de informações em tempo real.

Salvo exceções pontuais, representantes do Senado Federal utilizaram a Comissão Parlamentar de Inquérito para espetacularizar a morte de quase 450 mil brasileiros.

Foi possível observar senadores alternando perguntas e discursos a favor e contra o governo. Comissão parlamentar de Inquérito não é o local apropriado para o discurso político, muito embora seja também um procedimento muito antes político do que investigativo.

A busca pela verdade é o objetivo a ser perseguido pela CPI da Pandemia. Primeiro, para punir eventuais responsáveis pelo caos sanitário que se instalou no país. Segundo, e não menos importante, para que os membros das Casas Legislativas possam reunir dados para produção de leis e regulamentos que evitem a repetição dos mesmos erros.

É negativo para o país utilizar a CPI da Covid-19 para apontar culpados antes da entrega do relatório final pelo senador Renan Calheiros. O momento agora é de buscar explicações, não de apontar culpados. 

18/05/21 10:49 | Atualizado em: 19/05/21 16:55

DIRETO DO PLANALTO

ERNESTO ARAÚJO NA CPI


Foto: Jovem Pan



Iniciando a terceira semana de depoimentos, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia do Covid-19 ouvirá o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo nesta terça, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na quarta-feira (19) e a secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, na quinta-feira (20).

Ernesto Araújo vai enfrentar uma série de perguntas dos senadores sobre a política externa do governo Bolsonaro durante a pandemia de covid-19, centradas em três focos principais: relação conturbada do governo e da família Bolsonaro com a China, a compra e distribuição de cloroquina — remédio sem eficácia comprovada contra o coronavírus e posições construídas fora da orientação de técnicos adotadas pelo presidente.

Vai ser uma outiva que promete movimentar o mundo político e trazer mais munição para a ala oposicionista da CPI. Este será o sétimo dia de depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que apura ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia de Covid e eventual desvio de verbas federais enviadas a estados e municípios.

18/05/21 09:42 | Atualizado em: 18/05/21 09:42

DIRETO DO PLANALTO

A MORTE DE BRUNO COVAS


Foto: Veja SP


A morte do Prefeito de São Paulo Bruno Covas é uma enorme perda para a política de boa convivência e do diálogo, hoje escassa devida à intensa polarização política vivida no país.

Respeitado por atores de direita e de esquerda e vindo de família tradicional na política paulistana, deixa como legado o combate à Covid-19 com base em evidências científicas, o diálogo com opositores e o respeito à democracia e às instituições republicanas.

Bruno Covas deixa um filho e uma São Paula cada vez mais cosmopolita e imprevisível politicamente.

Perde São Paulo, perde o Brasil.