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Direto do Planalto

Por Gylwander Peres

Coluna

12/05/21 15:24 | Atualizado em: 12/05/21 15:24

DIRETO DO PLANALTO

Wajngarten entra em contradição e enfurece senadores na CPI da Covid



Foto: O Globo


O ex-secretário especial de Comunicação Social Fabio Wajngarten causou a ira dos senadores integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado que investiga a conduta do Governo Federal no enfrentamento ao Covid-19 na manhã dessa quarta (12).

Na audiência no senado, as respostas vagas e contraditórias do ex-secretário foram consideradas uma afronta à inteligência dos parlamentares que conduzem a Comissão. O Senador e Presidente da CPI Omar Aziz (PSD-AM) demonstrou ser um dos mais irritados com as evasivas de Wajngarten.

Isso porque, em recente entrevista à Veja, Wajngarten afirmou que o presidente da República Jair Bolsonaro "era abastecido com informações erradas" e que gestão do general Eduardo Pazuello era incompetente para gerir a crise da Covid-19.

Na audiência que deve prosseguir até o início da noite, Wajngarten, convidado a prestar esclarecimentos na condição de testemunha, recusou a comentar sua fala, voltando atrás naquilo que havia dito anteriormente e recuando na classificação da gestão de Pazuello frente à pasta da Saúde.

Em declaração mais incisiva, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou "por favor, não menospreze nossa inteligência" para Wajngarten. O senador e Relator da CPI Renan Calheiros chegou ameaçar a prender o ex-secretário.

O movimento que desenha nos bastidores do Senado agora é o de que Wajngarten sairá condição de testemunha e passará para a condição de investigado.

Segundo interlocutores, a primeira medida tomada pelo senador e Presidente da Comissão Omar Aziz (PSD-AM) será pedir as gravações da entrevista concedida pelo ex-secretário de Comunicação Especial do governo à revista Veja. Antes, tal medida, deverá ser precedida pela assinatura e autorização dos demais integrantes da Comissão. 

10/05/21 16:56 | Atualizado em: 10/05/21 16:56

DIRETO DO PLANALTO

Pode-se usar a democracia contra a democracia?


Foto: Fórumjuridico.max



Em "Como as Democracias Morrem", livro de Steve Levitsky e Daniel Ziblatt, os autores discorrem e nos alertam para o esgotamento das democracias tradicionais.

Abordam de maneira didática as estratégias e fórmulas de que se utilizam alguns governantes para atentar contra a livre imprensa e testar os limites das instituições.

Registram os autores, que ganhar as eleições tornou-se o fim que justifica os meios. Na oportunidade, criticam governantes de esquerda, Como Hugo Chavéz (Venezuela), e de direita como Alberto Fujimori (Peru).

Aduzem que determinados governantes chegam ao Poder pela via democrática e sistematicamente vão minando a via eleitoral e democrática pelo o qual foram eleitos.

Aqui no Brasil, parlamentares da base de apoio do Governo corroboram a narrativa governista de que houve fraude nas eleições de 2018, ocasião em que supostamente o presidente da República Jair Bolsonaro teria ganho a eleição já no primeiro turno. Isso sem, contudo, apresentar qualquer prova.

Alimentar a desconfiança acerca do processo eleitoral do Brasil, que é eletrônico, e encampar o voto impresso, parece seguir a mesma estratégia utilizada por Donald Trump nos Estados Unidos ao ser derrotado nas urnas pelo Democrata Joe Biden. A estratégia é a de desacreditar o processo eleitoral pelo o qual foram alçados ao Poder e incitar a narrativa de fraude.

A pergunta que devemos fazer é: nossas instituições estão preparadas para reagir caso Jair Bolsonaro conteste eventual resultado desfavorável no processo eleitoral, com ou sem voto impresso, e cause tumulto semelhante àquele ocorrido quando Donald Trump incitou seus apoiadores a invadirem o Capitólio?

A resposta hoje parece ser não. Dito isso, devemos nos preparar para repelir qualquer atentado à democracia vindo de quem, um dia, chegou ao Poder democraticamente. 

05/05/21 16:04 | Atualizado em: 05/05/21 16:02

CPI DO COVID

A CPI da Pandemia caminha para a confecção de relatório final desfavorável ao governo.






A aposta em medicamentos sem comprovação científica, a tentativa de alteração da bula da hidroxicloroquina, a dezena de vezes em que o presidente da república Jair Bolsonaro recusou a compra de vacinas pesam. Isso, mesmo que, em dado momento, uma quantidade considerável de recursos tenha sido direcionado para o combate ao vírus.

A Constituição Federal compartilha entre a União, os Estados e municípios o dever de zelar pela saúde dos brasileiros, obrigando do gestor público um agir positivo para assegurar o Direito à vida. É preciso ressaltar que foi nesse sentido, de compartilhamento e autonomia de competências, a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 6341, de relatoria do ministro Marco Aurélio.

Esse mandamento constitucional, segundo alguns constitucionalistas que consultei, vai muito além do envio de socorro aos estados e municípios.

Nos debates até agora, sedimenta-se o entendimento de que, em reiteradas oportunidades, o governo federal deixou de agir quando deveria liderar e criar diretrizes sanitárias para a mitigação da Pandemia nos estados e municípios.

A confecção do relatório final, a cargo do senador Renan Calheiros, parece trazer o pior dos cenários para o governo. Adiantando-se ao relatório oficial, senadores da base governistas já editam relatório alternativo a ser apresentado, sob a justificativa de que os trabalhos da CPI estão servindo de palanque para opositores ao governo.

Quando os fatos apurados colocam o governo em apuros, dobra-se a aposta no tumulto.

O final é imprevisível. 

05/05/21 07:16 | Atualizado em: 05/05/21 13:22

DIREITO DO PLANALTO

ANÁLISE DO DEPOIMENTO DE MANDETTA


Foto: Isto É


Até aqui a oposição tem dado as cartas e vem comandando com êxito os trabalhos da CPI da COVID -19 no Senado Federal. O depoimento nesta, tarde, do ex-ministro Mandetta exibiu a falta de unidade para enfrentar a CPI por parte do governo.

O Planalto ainda tentou montar uma estratégia com o objetivo de dar condições para que os senadores governistas apontassem erros e contradições do ex-ministro da saúde , mas não obtiveram êxito.

Emissários do presidente trabalharam com uma série de informações sobre Mandetta , que foram lidas pelos senadores, mas a cada fala o ex-ministro rebatia com muita propriedade e colocava Jair Bolsonaro como o responsável pelos erros na condução da crise sanitária.

Em suas respostas, Luiz Henrique Mandeta foi claro e incisivo em apontar que o presidente atuou contra a vacinação, promoveu de forma criminosamente o uso de medicação sem comprovação de eficácia, dificultou a cooperação com a China, o que atrasou a aquisição de insumos, e, lutou contra a restrição do vírus.

Na minha análise, Mandetta se saiu muito bem, emparedou o governo e deixou os senadores governistas em pânico. Ao que tudo indica a CPI está sendo preparada para sangrar Bolsonaro até 2022 . 

04/05/21 08:05 | Atualizado em: 04/05/21 08:05

DIREITO DO PLANALTO

PAZUELLO SERÁ O ALVO PRINCIPAL DA CPI


Foto: Arquivo Governo Federal


As consequências políticas da CPI da Covid no Senado Federal podem resultar em imensas dificuldades para o governo Bolsonaro.

A depender do andamento dos trabalhos e da qualidade das informações coletadas para organizar o cronograma das investigações, a pressão em cima do presidente da República tende a ser enorme.

Tudo indica que Pazuello será o alvo principal das investigações, por sua gestão ser considerada como a mais problemática e ser também o centro dos problemas da crise sanitária. Os senadores, certamente, não estão dispostos a pegar leve.

Pazzuelo foi o ministro da saúde mais submisso às vontades de Bolsonaro e em sua gestão ocorreu a aceleração da gravidade da pandemia.

É consenso na maioria dos senadores que o então ministro demonstrou que seguiu tão somente a vontade do presidente da República sem levar em conta as orientações científicas e os interesse da população brasileira.

O ex ministro Pazuello deverá ser questionado sobre o atraso na vacinação, a promoção da cloroquina e a crise em Manaus.

A oitiva do ex-ministro está marcada para quarta-feira, 5, e o governo terá até lá que fazer uma dura escolha: tentar blindar Pazuello, o que não será uma tarefa fácil ou abandoná-lo a própria sorte para tentar livrar Bolsonaro desse pesado ônus que pode atrapalhar seus planos eleitorais. 

01/05/21 06:11 | Atualizado em: 01/05/21 06:11

DIREITO DO PLANALTO

AS FALAS DO MINISTRO PAULO GUEDES


Foto: Senado Federal



O ministro da Economia Paulo Guedes vem fazendo um bom trabalho ao manter aquecida a economia no contexto da Pandemia da Covid-19.

Há que se ressaltar que o que tinha que ser feito no orçamento em relação ao corte de gastos necessários para cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal foi feito. Isso, sem comprometer os compromissos do governo Bolsonaro com o Parlamento.

No entanto, merece igual destaque a postura do ministro ao tratar da questão da vacina e de políticas públicas como o Fundo de Financiamento Estudantil - FIES.

Criar atrito com a China, nosso maior fornecedor de insumos para produção da vacina é contraprodutivo e gera desgaste desnecessário com nosso maior parceiro comercial, o que afeta diretamente a retomada da economia.

Quanto às críticas ao Fies, cabe rápida menção de que não é um programa de bolsas de estudo. É empréstimo de dinheiro mediante o pagamento de juros mais baixos para estudantes que se enquadram nas condições do programa educacional.

Não deveríamos gastar tempo criando animosidade e cortina de fumaça para os trabalhos da CPI da Covid-19, criticando os brasileiros que querem chegar aos 100 anos de idade. Nossos idosos já foram atingidos em cheio com o vírus.

No trato com a coisa pública devemos ser técnicos, sem nos esquecermos que também é necessário temperança e alteridade para com a população mais pobre que sofre com a alta carga tributária incidente sobre o consumo para pagar o salário do gestor público. 

29/04/21 14:46 | Atualizado em: 30/04/21 09:58

DIRETO DO PLANALTO

2022 - O BRASIL PRECISA DE UM PROJETO DE PAÍS


Crédito Foto: Nosso Jornal


Participei durante a semana de um trabalho de análise sobre pesquisas de opinião pública e o que deparei nos números é assustador. Em todos os blocos analisados o percentual de brasileiros que se manifestaram sem esperança com o país é muito grande. Quando fiz a comparação com quadros anteriores constatei que esse movimento é crescente.

2022 chegando e a sensação que temos é que 2018 ainda não terminou. Esses números estão bem claros : a crise política e econômica que vivemos são os sintomas tardios da ausência de um projeto nacional.

Como chegamos a esse ponto? Uma resposta fácil seria destilar acusações ao atual governo, ou a governos passados , à classe política, ou a corrupção. Não é esse o caminho.

De fato, os acontecimentos políticos recentes são os sintomas tardios da falta que faz um projeto nacional. A verdade é que o Brasil está sem rumo. Falta um projeto nacional de desenvolvimento para o país.

Há décadas estamos sem projeto, sem inserção internacional que nos renda frutos e liderança, sem reconstrução do Estado, sem apoio planejado à ciência e à pesquisa, sem inovação tecnológica, com a educação em ruínas . O Brasil está ficando para trás, empobrecido, pequeno, é isso vem inclusive comprometer as nossas futuras gerações.

Com a proximidade das eleições de 2022, o momento atual precisa ser de discussão entre todas as correntes políticas na busca desse planejamento. O Brasil tem a oportunidade de refletir e escolher o projeto de país para qual caminhará. Esse deve ser o tom do próximo pleito, pois a política precisa representar a esperança. Num terreno desesperançoso a política já não existe mais. 

28/04/21 10:46 | Atualizado em: 28/04/21 13:08

DIREITO DO PLANALTO

POLITIZAÇÃO DA ANVISA







Criada há 21 anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou ao centro do debate depois da negativa em relação à autorização da vacina Sputinick.

A decisão coloca a agência em um choque de versões, pois trata-se de uma acusação muito grave, e inédita no mundo: já que a Sputnik recebeu autorização para uso emergencial em 62 países, sem que nenhuma outra agência regulatória tenha apontado qualquer problema.

Na minha análise, parece existir uma má vontade por parte do órgão federal em aprovar o uso da vacina russa Sputnik V. E essa má vontade está no fato da compra dessa vacina está sendo coordenada por governadores.

A intenção da aquisição foi firmada no final de março, por meio de um Fundo Russo, e a expectativa é que as vacinas seriam enviadas em quatro lotes, sendo que os primeiros chegariam na segunda quinzena de abril e os últimos em julho. O contrato prevê a compra total de 37 milhões de doses a serem distribuídas aos Estados que fazem parte dos consórcios Amazônia Legal e do Nordeste.

Todos sabemos que a Anvisa deve atuar com base em critérios científicos e não a favor de interesses de governos, organizações ou de partidos políticos. O trabalho técnico do órgão deve, nesse momento crítico que vivemos, estar acima de qualquer pressão.

Interessante destacar que não é a primeira vez que a Anvisa se posiciona a favor de interesses do governo. A interrupção de estudos com Coronavac recentemente foi um erro grave da instituição, que atrasou o calendário de vacinação e serviu apenas para atender discurso do presidente Jair Bolsonaro.

No meu ponto de vista, o que colocou em dúvidas o trabalho do órgão foi a imagem inicial que o diretor-geral da entidade, o contra-almirante da Marinha Antônio Barra Torres deixou para a população quando participou de uma manifestação ao lado do presidente Jair Bolsonaro em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília contra o STF e o Legislativo.

Criadas a partir de 1997 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, as agências reguladoras surgiram com o objetivo fiscalizar a qualidade do serviço e estabelecer normas para diversos setores sem interferência política. Mudanças nesses parâmetros representam um grande mal para a sociedade brasileira. 

27/04/21 12:02 | Atualizado em: 27/04/21 12:02

DIRETO DO PLANALTO

O ROUND NA CPI DO COVID


Imagens : CNN Brasil

O desembargador do Tribunal Federal da 1a Região Francisco de Assis Betti suspendeu, na manhã desta terça, a decisão do Juiz Charle Renaud Frazão que retirava o senador Renan Calheiros (MDB-AL) da relatoria da CPI da Covid-19.

A Comissão foi instalada na presente data, às 10h.

A decisão proferida hoje garante o exercício e a independência do Poder Legislativo ao vedar interferência indevida do Poder Judiciário no Senado Federal em sede de Ação Popular ajuizada pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

A decisão de ontem, fundada na moralidade e poder geral de cautela, não revestia-se de fundamentação adequada para justificar a conclusão pelo afastamento do senador Renan Calheiros de eventual escolha como relator da CPI da Covid-19, por isso nula.

Chama atenção na decisão de ontem a restrição à eleição do senador Renan Calheiros como relator da Comissão, quando na verdade essa indicação é uma prerrogativa do Presidente da CPI, conforme preconiza o art. 89, III, do Regimento Interno do Senado.

Ademais, por ser procedimento inquisitório, que não tem poder para aplicar sanção, a exigência de parcialidade de membro do Poder Legislativo na condução de Comissão Parlamentar de Inquérito inviabiliza o exercício do dever de fiscalizar da Casa Legislativa.

Assim como no inquérito policial conduzido por delegado, não exige-se, paralelamente, de parlamentares, parcialidade na condução de CPI, mas isonomia e observância da Constituição Federal. A isonomia não exclui o direito de defesa dos investigados. Assim, eventuais excessos podem e devem ser revistos pelo Judiciário.

A base governista receosa com os desdobramento da CPI instalada no Senado precisará jogar, a contragosto, politicamente o jogo.

Até aqui o Judiciário parece estar atento à missão de garantir a observância das regras e não de jogar o jogo. Claro, pois, quem joga não apita. 

26/04/21 09:21 | Atualizado em: 26/04/21 09:20

DIRETO DO PLANALTO

ROTEIRO DA CPI DO COVID


Foto: Canal Saúde/ FIOCRUZ


Dois importantes estudos que foram publicados pelas revistas científicas The Lancet e Science serão utilizados pela CPI do COVID no Senado Federal como base e guia dos trabalhos. Trata-se dos mais importantes e respeitados periódicos na área de ciências médicas do mundo.

A Science, de forma contundente, imputa ao governo de Jair Bolsonaro a responsabilidade de má condução na pandemia, que resultou no alto número de mortos.

As duas publicações afirmam que a propagação das infecções e mortes por Covid-19 no Brasil teve como causa principal a combinação das vulnerabilidades socioeconômicas no país e o caminho seguido pelo governo.

Segundo o estudo, “No Brasil, a resposta federal tem sido uma combinação perigosa de inação e irregularidades, incluindo a promoção da cloroquina como tratamento, apesar da falta de evidências”.

Já a reação dos governadores à ausência de uma coordenação federal foi de suma importância para amenizar os efeitos do vírus sobre a população e também na condução de um plano de imunização.

A CPI da Covid será instalada nesta terça-feira (27), no Senado. quando serão eleitos presidente, vice-presidente e relator da comissão. 

22/04/21 16:37 | Atualizado em: 22/04/21 16:37

DIRETO DO PLANALTO

O DISCURSO DE BOLSONARO NA CÚPULA DO CLIMA



Foto: Rede CNN


Foi recebido sob desconfiança o discurso do presidente Jair Bolsonaro na cúpula do clima proferido nesta quinta-feira em reunião virtual. O presidente alterou seu posicionamento em relação a suas falas anteriores, inclusive o discurso feito na ONU, e citou avanços de governos passados.

O pronunciamento de Bolsonaro não parecia ser de Bolsonaro e tão pouco de seu governo, essa é a minha avaliação.

O presidente procurou desenhar um cenário perfeito da proteção ambiental, o que vem contrário a ações realizadas em sua gestão , que está caracterizada pela legalização de crimes socioambientais e falhas nas políticas de proteção à floresta amazônica.

A mudança de perfil no discurso de Bolsonaro se dá em razão da pressão que o Palácio do Planalto vem sofrendo da comunidade internacional em relação à política ambiental de seu governo.

Os pontos positivos da fala presidencial no debate foi a promessa de zerar desmatamento ilegal até 2030, de antecipar para 2050 a neutralidade do carbono no Brasil, o aumento de recursos para fiscalização e o tom sóbrio do discurso , sem apontar culpados e se vitimizar. 

21/04/21 17:35 | Atualizado em: 22/04/21 07:15

DIREITO DO PLANALTO

A responsabilidade do Conselho Federal de Medicina na Pandemia


A autonomia do médico encontra limite em evidências científicas. Sem a ciência, a medicina não é medicina: é curandeirismo.

No decorrer da pandemia temos visto vários fármacos sendo administrados na contramão de estudos publicados por Universidades, como a de Oxford, e de publicações científicas, como a Science e a Lancet.

Quando não se tinha ampla informação e estudos preliminares indicavam possíveis benefícios, justificava-se, de certo modo, a prescrição off-label (fora das especificações do rótulo) desses medicamentos. Não é mais o caso.

Isso porque essas evidências não se confirmaram na revisão de pares e hoje publicações científicas demonstram possíveis efeitos adversos graves em pacientes com Covid-19.

O Conselho Federal de Medicina, ao insistir na autonomia ilimitada do médico, tem deixado de se guiar pela ciência, tornando-se aliado do obscurantismo e do vírus.

A Associação Médica Brasileira já se posicionou contra o chamado "tratamento precoce", por ter, segundo a referida associação, ineficácia comprovada contra a doença e defendeu o banimento da hidroxicloroquina e da ivermectina.

A CPI da Pandemia no senado já direciona o trabalho para apurar eventuais irregularidades na promoção de terapias ineficazes e eventuais falhas na aquisição da única solução para a volta à normalidade, a vacina.

A ciência não tem partido ou ideologia, é um método. Tampouco serve para ratificar nossas opiniões pessoais. É uma diretriz. Promovê-la a é acender uma vela no escuro em direção ao futuro, como diria Carl Sagan. 

20/04/21 15:11 | Atualizado em: 20/04/21 16:37

DIRETO DO PLANALTO

O BRASIL NA CÚPULA DO CLIMA


Imagem: Correio Braziliense


Na próxima quinta-feira, 22, o presidente dos EUA Joe Biden debaterá com 40 chefes de Estado, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, na Cúpula de Líderes sobre o clima.

O Brasil chega ao evento muito pequeno. Ecoa de forma incisiva entre esses lideres as políticas defendidas por Bolsonaro de redução de multas ambientais,  bloqueio de demarcações de terras indígenas e a defesa da extração de madeiras sem critérios. Nos dois primeiros anos de seu governo , ocorreram sucessivas altas no desmatamento. A taxa de perda florestal saltou de 7,5 mil km2, em 2018, para 10,1 mil km2 e 11,1 mil km2 em 2019 e 2020, sucessivamente. Foram os maiores números desde 2008.

Porém, o governo Biden deseja mostrar a consistência de sua agenda ambiental, que foi compromisso de campanha, e a capacidade de liderança e persuasão de seus argumentos, o que pode beneficiar o governo Bolsonaro. Caso consiga mostrar mudanças de rota no evento, o governo brasileiro tem chances de receber recursos americanos como deseja o ministro Ricardo Sales.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos já iniciou diálogo com o Itamaraty e sinalizou que não existe a possibilidade de repasses serem efetivados sem resultados práticos.

Durante a semana, o governo Joe Biden aumentou o grau de pressão para que o Brasil se comprometa com metas claras de combate ao desmatamento e condicionou a liberação de recursos ao país após o governo demonstrar comprometimento com essa pauta. Vamos ver como vai se portar no evento a representação brasileira. Tudo vai depender se o Governo do Brasil vai apresentar nova postura e iniciar um novo comportamento frente à política ambiental. 

19/04/21 17:53 | Atualizado em: 19/04/21 19:48

DIRETO DO PLANALTO

ACORDO EM TORNO DO ORÇAMENTO DE 2021




O Ministério da Economia e líderes do Congresso Nacional fecharam agora há pouco um acordo para resolver o impasse em torno do Orçamento Geral da União de 2021.

As tratativas estão em torno de um projeto de lei, que está em tramitação, cujo objeto é destravar o programa que permite redução de jornada e salário ou suspensão de contrato de trabalhadores, e o programa de crédito a micro e pequenas empresas, conhecido como Pronampe.

Pelo que foi acordado, parlamentares aprovarão uma emenda do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que suprime da meta de resultado primário os créditos extraordinários de despesas relacionadas ao Covid -19.

Um outro item que deve ser aprovado libera o governo para realizar o remanejamento de recursos sem a necessidade de passar pelo crivo do Legislativo.

Com essas mudanças o presidente Jair Bolsonaro terá condições de sancionar o Orçamento, dentro do prazo limite, que será na próxima quinta-feira, dia 22. 

16/04/21 15:25 | Atualizado em: 16/04/21 15:25

DIRETO DO PLANALTO

A ANTECIPAÇÃO DO DEBATE ELEITORAL


Crédito foto: Sérgio Lima/ Poder 360


A campanha eleitoral para a presidência da República foi antecipada para 2021, com a anulação de todas as condenações proferidas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 13ª Vara Federal da Justiça Federal de Curitiba, responsável pela Lava Jato.

A antecipação ocorre devido a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi proferida na última quinta-feira e deixa o petista elegível e apto a disputar as próximas eleições presidenciais.

Com o retorno de Lula à seara política, o debate eleitoral tende a antecipar e se acirrar, já que o presidente Jair Bolsonaro vem reforçando os ataques ao tribunal em razão de estar enfrentando
queda de popularidade com o agravamento da pandemia e a piora dos indicadores econômicos.

Na minha análise, a antecipação desse debate será muito ruim para o país, pois Bolsonaro tende a seguir uma agenda mais populista, que dê mais retorno político .

Será bastante negativo a acentuação da polarização e do populismo na economia, elevando gastos públicos num momento de piora no número de casos do coronavírus e de deterioração da saúde fiscal do Brasil em razão do aumento de gastos e queda na arrecadação 

15/04/21 19:37 | Atualizado em: 15/04/21 19:45

DIRETO DO PLANALTO

GUEDES NA BERLINDA



Foto: Adriano Machado/ Reuters


Parlamentares do Centrão iniciaram um movimento hoje para pedir a saída do ministro da Economia Paulo Guedes. Além da troca do comando na pasta defendem também o desmembramento do Ministério do Planejamento do da Economia.

O conflito político gerado em torno do Orçamento Geral da União, que tem as emendas parlamentares no centro do debate, causou um imenso desgaste ao czar da economia .

Soma-se a isso a perca de credibilidade de Guedes perante o seu principal sustentáculo, os operadores do mercado financeiro.

Guedes ainda visto até pouco tempo como o mais importante controle contra o avanço do populismo de Bolsonaro. Mas hoje o mercado já aposta no nome do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto como apto para exercer esse papel.

Para alguns parlamentares que ouvi essa semana, a saída do ministro da economia é crucial para resolver o impasse em torno do OGU de 2021. O maior erro cometido por Paulo Guedes foi não ter atualizado os parâmetros na LDO durante a sua aprovação em dezembro passado.