
A queda no desempenho da rede municipal de ensino de Palmas no Ideb de 2025 entrou no debate eleitoral e agora também está sob análise da Justiça Eleitoral. A ex-prefeita Cinthia Ribeiro, candidata a deputada federal pelo PSDB, apresentou uma representação contra o vereador Carlos Amastha (Podemos), candidato a deputado estadual, após a divulgação de um vídeo em que ele comenta os resultados da avaliação educacional.
No documento encaminhado à Justiça, Cinthia contesta a forma como os números foram apresentados e afirma que o resultado de 2025 não deve ser associado à administração que comandou a Prefeitura de Palmas durante seu mandato. Para ela, os indicadores divulgados neste ano dizem respeito ao período da atual gestão municipal.
A série histórica apresentada mostra que o Ideb dos anos finais do Ensino Fundamental da rede municipal de Palmas atingiu 5,8 em 2017 e manteve a mesma nota em 2019. O índice caiu para 5,6 em 2021, 5,5 em 2023 e chegou a 5,2 em 2025.
Cinthia utiliza justamente o desempenho registrado em 2021 para sustentar sua argumentação. Naquele ano, Palmas ficou em segundo lugar entre as capitais brasileiras nos anos iniciais do Ensino Fundamental e alcançou a liderança nos anos finais, conforme os dados citados na representação.
Para a ex-prefeita, a discussão eleitoral deveria estar concentrada em medidas capazes de recuperar os indicadores da educação municipal. Ela defende que os candidatos apresentem propostas concretas para melhorar a aprendizagem e o desempenho dos estudantes.
“O momento exige que os postulantes aos cargos eletivos apresentem soluções para elevar os indicadores educacionais, em vez de responsabilizar gestões anteriores pelos resultados atuais”, afirmou.
A representação pede que a Justiça Eleitoral examine o material publicado por Amastha e determine as providências que considerar adequadas.
Amastha, por sua vez, rejeita a ideia de atribuir o resultado de um determinado ano exclusivamente ao gestor que ocupava a Prefeitura no período. Em manifestação ao Jornal Opção Tocantins, ele argumentou que os índices educacionais são construídos ao longo de vários anos e refletem políticas públicas adotadas por diferentes administrações.
O candidato citou a própria experiência como exemplo. Segundo ele, o resultado de 2013 ainda teria relação com a administração do ex-prefeito Raul Filho, enquanto os números de 2015, 2017 e 2019 teriam forte influência das políticas implementadas durante sua gestão.
Na avaliação de Amastha, a mesma lógica deve ser aplicada ao resultado de 2025. Ele destacou que as provas foram realizadas entre setembro e outubro daquele ano e, por isso, o desempenho também teria relação com o trabalho desenvolvido anteriormente pela administração de Cinthia.
“Eu tenho a responsabilidade no número de 2019, que as provas foram feitas em 2018, reflexo no meu trabalho. E é evidente que ela tem responsabilidade no número de 2025”, afirmou.
Apesar disso, Amastha ponderou que não considera correto atribuir o resultado integralmente a uma única gestão. O vereador argumentou que mudanças estruturais na educação dependem de políticas contínuas e de resultados acumulados durante vários anos.
“Nenhuma educação se constrói em nove meses”, declarou.
Amastha também chamou atenção para a trajetória do Ideb de Palmas e afirmou que os indicadores da rede municipal já vinham apresentando redução desde 2019. O embate entre os dois candidatos coloca os resultados da educação municipal no centro da disputa eleitoral e deverá continuar após a análise da representação pela Justiça Eleitoral.